Claro que muita gente, principalmente quem não torce para o Corinthians já está de saco cheio de ouvir falar em Ronaldo. Mas decidi contar como foi essa estréia pra mim. Já que tudo conspirou pra ser uma história de cinema dentro das quatro linhas e pra mim foi um pouco.
Acordei meio e dia e pouco porque tinha passado à noite mixando o cd da Stella (cd esse que tem que sair já que até o Chinese Democracy do Guns saiu e até o Ronaldo voltou a jogar) e acordei e decidi estrear a camisa preta nova sem patrocínio que tinha chegado durante a semana. Uma decisão difícil pra alguém supersticioso como eu. Uma estréia em um clássico é sempre difícil. Como em qualquer dia de clássico já fico pilhado normalmente o dia todo mas esse clássico me deixava mais ainda pois se tratava do grande clássico, do maior rival do Corinthians, o Palmeiras e seria a estréia definitiva do Ronaldo. Estréia essa que colocava muitas interrogações na minha cabeça.
Começa o jogo, tudo dentro dos conformes, jogo equilibrado até que o sinal da TV. E que pra desespero meu a NET ia ficar fora do ar até às oito da noite e como só pegava TV pela NET já deu pra sentir o desespero. Tentei ligar para os amigos corinthianos e nada de ninguém atender. Xinguei o mundo como nunca e vai todo aqui em casa atrás de uma antena de TV velha que mal pega. Depois de muita procura achei no fundo de uma caixa no porão e já com o rádio ligado fomos testar em todas as tv´s da casa. A maldita antena foi funcionar só na TV no quarto da minha mãe e daquele jeito. Acho que tinha uns 40 jogadores em campo e a bola e o tempo de jogo eram detalhes muito pequenos para serem vistos.
Nessa pilha toda fomos para o segundo tempo e o Corinthians toma o gol em uma falha bizonha do recém caçador de borboletas Felipe. Incrível como o Felipe tem saído mal do gol ultimamente. Depois disso o Corinthians se mandou para o ataque e estava dividido, entre esperar o pior no contra ataque ou se sonhar com uma reação. Nisso entra o Ronaldo e logo já me mete uma bola no travessão, na hora do chute levantei da poltrona esperando aquela bola entrar e caprichosamente ela não entrou. E o time, tirando o Ronaldo fazia um jogo muito ruim, especialmente o Douglas, que esse ano tem jogado mal à beça.
O Palmeiras vai tendo as oportunidades de matar o jogo e Felipe vai salvando e eu sofrendo e praguejando tudo e a todos. Até que surge um escanteio, com a TV naquele estado fantasma no meio da garoa que se encontrava sabia que o jogo estava perto do fim mas não imaginava que já era 47. Douglas cruza a bola e nessa hora me levanto parcialmente da poltrona com a sensação de ou entra agora ou já era. Do nada vejo a bola entrar e o Ronaldo indo para o alambrado. Grito gol de maneira histérica, pulo, dou um soco em um móvel, grito: Chupa porcada! e lanço mais uma meia dúzia de palavrões como se expulsasse todos os demônios dentro de mim. É essa exata sensação. Minha irmã nem comemora direito, só fui saber depois que por medo da minha reação. E o mais comédia é que o quarto dos meus pais da visão pra praça e bem de frente para o playground da praça. Domingo de sol, praça obviamente lotada e só as mães chocadas procurando saber de onde vinha aquele louco e nisso ouço um criança falando: Corinthians! Muito comédia.
O mais legal de tudo isso é que esse foi um momento histórico onde a maioria das pessoas vão se lembrar o que e onde estavam na hora desse gol. Claro que torcedores de outros times dificilmente vão admitir isso mas que foi um momento incrível isso foi. Mais do que incrível, eu diria que foi fenomenal...